HAMA / MORI
Perspetivas

Reflexões sobre arquitetura, luz, paisagem e tempo, reunidas numa coleção de perspetivas sobre as condições subtis através das quais o espaço é vivido e sentido.

O jardim como uma sala

Uma perspetiva sobre arquitetura e paisagem

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Entre arquitetura e paisagem, o jardim surge como mais uma divisão da casa, aberta ao céu, à estação e ao tempo.

Em muitas leituras convencionais da arquitetura, o jardim é entendido como algo que existe para lá do edifício, uma paisagem que o envolve, suaviza a sua presença ou oferece uma vista distante. Torna-se fundo, mais do que espaço para habitar.

Mas em muitas tradições arquitetónicas duradouras, o jardim é compreendido de outra forma. Não é decoração nem cenário. É composto como um espaço próprio, intimamente ligado ao ritmo da vida quotidiana.

Um espaço sem paredes

Tal como uma sala, um jardim pode possuir proporção, sequência e limite. Embora aberto ao céu, continua a ser um espaço cuidadosamente moldado e profundamente vivido.

Um caminho pode orientar o movimento entre a vegetação. Árvores e sebes podem definir limites onde, de outro modo, existiriam paredes. A sombra introduz intimidade, enquanto as aberturas enquadram uma árvore, um fragmento de céu ou a luz em mudança pousada sobre a pedra.

O que importa não é a dimensão do jardim, mas a clareza com que é composto.

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Entre interior e exterior

O jardim ocupa uma posição singular na arquitetura, porque existe entre mundos. Não pertence inteiramente à casa, nem inteiramente à paisagem mais ampla. Forma antes uma transição suave entre abrigo e abertura.

Uma divisão que se abre para a vegetação sente-se imediatamente mais ampla. Um terraço suavizado pelas folhas torna-se uma extensão natural do interior. Um pátio pode introduzir calma e luz no centro de uma casa.

Nestes momentos, a arquitetura não termina no limiar. Continua para fora, através da textura, do ritmo e dos elementos vivos.

A natureza como atmosfera

Um jardim nunca está inteiramente imóvel. Muda com a hora, com a estação e com o movimento do ar. A luz filtra-se através das folhas, as sombras deslocam-se lentamente sobre as superfícies e o som torna-se mais suave e difuso.

Esta qualidade viva dá ao jardim uma profundidade temporal que os espaços encerrados raramente possuem. Nunca é exatamente o mesmo duas vezes, mas continua a fazer parte do enquadramento arquitetónico que o envolve.

Quando moldado com contenção, o jardim pode guardar a mesma ordem serena que associamos a um espaço interior bem composto.

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É o lugar
que reúne luz e som,
e deixa o tempo passar.